UEPG ABRE 5ª EDIÇÃO DO CURSO INTERNACIONAL DE MANEJO DO SOLO
05/11/2010 - 00:00 AM
 


Professor João Carlos de Moraes Sá

      A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) abre, nesta segunda-feira (8/11), a 5ª edição do curso internacional sobre “Manejo de Matéria Orgânica do Solo: relação entre sistemas de produção e cultura de cobertura - princípios e chaves para ações” (Soil organic matter manegement: the relationship with cropping systems and cover crops – principles and keys for action). A solenidade terá a presença do reitor do João Carlos Gomes, às 8h30, no auditório do Centro Interdisciplinar de Pesquisa e Pós-Graduação (CIPP), no Campus Universitário de Uvaranas.
      Com duração até 20 de novembro, o curso se divide em aulas práticas e teóricas, sob a coordenação do professor João Carlos de Moraes Sá, do Departamento de Ciências do Solo e Engenharia Agrícola (DESOLO). O curso resulta de uma parceria entre a UEPG e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica da França (Centre de Cooperátion Internationale em Recherche Agronomique pour le Développment - CIRAD-France).
      A edição de 2010 tem a participação, como alunos, dos pesquisadores Angar Houcine, Tunísia; Herizo Andriamalala, Madagascar; Jean-Pierre Mvondo Awono, Camarões; Jianbo Wang, China; Kalifa Coulibaly, Bourkina Faso; Lei Baokun, China; Pancheewan Ponphang-Nga, Tailândia; Remamy Razafimiroe Randzavola Nirina, Madagascar; Thierry Rabenandro, Madagascar; Trinh Duy Nam, Vietnam; Xia Tyuan, China; M’ Biandoun, Camarões; Chaivanhna Soulikone, Laos; Hauswirth Damien, Vietnam; Pujilestari Nurwindah, Indonésia; Sandra Corsi, Itália.
      Defendendo a importância da renovação do convênio com o CIRAD – com vigência a partir de 2011, o professor doutor João Carlos de Moraes Sá explica que a parte prática do curso envolve saídas a campo para coleta de amostras de solo – tendo a Fazenda Capão da Onça da UEPG como referência, além de visitas a produtores pioneiros do plantio direto na região. Na fase teórica, em laboratório, há o trabalho com as amostras coletadas para desenvolver análises e criar base de dados para discussões ao longo do curso.
      Sobre o convênio que iniciou a parceria da UEPG com o CIRAD, em 2005, João Carlos observa que o que determinou a sua renovação foi o sucesso das ações desenvolvidas no projeto que proporcionou avanços significativos nas pesquisas sobre o uso da matéria orgânica no manejo do solo. Nas quatro primeiras edições do curso, a UEPG já treinou 60 pesquisadores da Ásia, África e Europa. Também recebeu cerca de três mil amostras de solo para análise. O professor João Carlos ressalta que o treinamento de pesquisadores do CIRAD na UEPG se dá porque a instituição encontra-se inserida numa região de excelência e berço do plantio direto.
      João Carlos assinala ainda que a UEPG tem o plantio direto como referência porque tem a prática no campo e o envolvimento com agricultores pioneiros, a exemplo de Manoel Henrique (Nonô) Pereira, e Frank Dijkstra, além ter a sede da Federação de Plantio Direto na Palha, em Ponta Grossa. Na evolução desse relacionamento, segundo João Carlos, está a capacidade da UEPG em promover o desenvolvimento de estudos sobre a matéria orgânica do solo.
      Responsável por 70% dos módulos do curso, o professor João Carlos de Moraes Sá observa que os pesquisadores querem se aprofundar nas aulas práticas e teóricas, aprimorando seus conhecimentos sobre a dinâmica da matéria orgânica do solo em sistema de plantio direto. Da edição 2010, como ministrantes do curso, participam os professores doutores Altair Justino – que apresenta a parte de máquinas agrícolas para plantio direto e tecnologias de aplicação de defensivos; Carlos Hugo – atuando no dia de visita a campo – onde trata da paisagem e da geografia (formação de solos da região), para dar aos participantes a idéia da relação solo e paisagem; Neide Giarola, com a parte de qualidade do solo; e Lucien Seguy, representante francês e pesquisador do CIRAD, que aborda sobre os sistemas de produção. João Carlos destaca que essa troca de experiências já proporcionou à UEPG recursos que ultrapassam $ 500 mil dólares - e que tiveram aplicação na compra de equipamentos de última geração para a construção do Laboratório de Matéria Orgânica do Solo, infraestrutura, instrumental e na manutenção de equipe.
     
      Aliado ao conjunto de atividades do curso, João Carlos salienta a necessidade de consolidar a produção científica através da publicação de artigos em periódicos nacionais e internacionais. Atendendo à meta do grupo CIRAD da publicação em periódicos A1 e A2 (Classificação da Capes), ele destaca que o programa tem dois artigos sobre sequestro de carbono (absorção de grandes quantidades de gás carbônico (CO2) presentes na atmosfera) e dinâmica da matéria orgânica - em periódicos internacionais com essa exigência; e um terceiro acerca do mesmo tema produzido em parceria com o CIRAD; e dois que estão em desenvolvimento. Também observa que com a presença do professor e pesquisador francês Florent Tivet, que realiza pós-doutorado na UEPG, há a projeção para a publicação de mais quatro artigos em revistas internacionais.
     
      PARCERIAS E INTERNACIONALIZAÇÃO
      Outra questão destacada por João Carlos registra o resultado das pesquisas do grupo CIRAD na UEPG, na publicação de um livro para ser usado em nível de cursos em outros países. Cita, também, o projeto “Agroecossistemas” aprovado junto à Fundação Agrisus – Agricultura Sustentável – que trabalha o sistema de plantio direto subtropical – Ponta Grossa; tropical com período seco definido - em Luís Eduardo Magalhães (BA); e tropical úmido, em Lucas do Rio Verde (MT). João Carlos explica que o projeto estuda sistemas de produção e que uma equipe do grupo da UEPG vai fazer coletas, em Luís Eduardo Magalhães, em setembro. “É importante esse apoio da Agrisus que elege o Laboratório de Matéria Orgânica do Solo da UEPG como referência para novos estudos da matéria orgânica”, diz ele, acrescentando que “as parcerias que se conquistam têm a ver com o trabalho sério da equipe do CIRAD-UEPG”.
      Para João Carlos, hoje, a universidade não pode ficar baseando-se somente nos projetos dos editais do CNPq, Fundação Araucária e Capes. Ele salienta que é imprescindível o envolvimento da universidade com a empresa e a indústria. “A única forma de nós avançarmos é a partir de parcerias de alto nível com a iniciativa privada”. Para exemplificar, o professor João registra que, no Brasil, a iniciativa privada se desenvolve porque usa o capital intelectual formado pelas instituições públicas. “Embora sejam minoria na oferta de vagas, atualmente, é de onde sai a maior parte da produção científica. As universidades estaduais e federais são responsáveis por 95% da pesquisa brasileira”. Da política de internacionalização da UEPG, João Carlos diz que é um caminho sem volta. “Não podemos nos restringir às ações locais e nacionais. O mundo se globalizou e, hoje, não existem mais fronteiras. Sou um entusiasta da internacionalização e coloco a parceria UEPG e CIRAD, como um exemplo na instituição. “É um convênio internacional forte e que produz conhecimento em sua interação”.
 
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