PARQUE ESTADUAL DE VILA VELHA

Com uma área de 3.122 ha, em 12/10/1953, pela Lei nº 2.192, foi criado o Parque Estadual de Vila Velha. Em 1966 o conjunto Vila Velha foi tombado pelo Departamento de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado.
Geograficamente, Vila Velha se localiza a 25° 15' de latitude Sul e 50° 00' de longitude Oeste, altitude de 917 m. A área apresenta vegetação de campo e capões de mato esparsos, onde se destacam os Pinheiros do Paraná. O clima é mesotérmico com verões frescos e a topografia ondulada com escarpas, possuindo vários cursos d'água. Que deságuam no Rio Tibagi. Abriga uma fauna variada: Lobos Guará (raros), jaguatiricas, quatis, gatos-do-mato, iraras, furão, catetos, veados, tatus, pica-paus, pombas, perdizes, tamanduás bandeira e mirins, diversos tipos de aves. A 18 Km de Ponta Grossa, é integrado pelas formações areníticas, furnas e Lagoa Dourada, distando de Curitiba 80 Km.

ARENITOS

A 18 Km de Ponta Grossa, figuras gigantescas esculpidas pela ação das chuvas e dos ventos. A sua formação arenítica é o resultado do depósito de um grande volume de areia há aproximadamente 340 milhões de ano, no período carbonífero, quando esta região estava coberta por um lençol de gelo. Com o degelo, esse material foi ali abandonado e, com a erosão normal e as águas dos riachos da frente glassiária engrossando, esses depósitos foram retalhados, originando os arenitos de Vila Velha. A transformação continua. Vila Velha está exposta à ação atmosférica e suas formações sugerem variadas figuras como: camelo, índio, noiva, garrafa, bota, esfinge, taça, etc.

No topo, arenito avermelhado, grosseiro, feldspático, em parte amarelado, apresentando fina carapaça cinza esbranquiçada de 3 mm, silicificada ou com crosta pardo-escura de óxido de ferro, o que dá maior dureza, formando blocos verticais com cabeças mais resistentes à erosão. Espessura 10 m.

DESCRIÇÃO DO ARENITO

Na parte média, arenito avermelhado claro, com salpicos de caulim e seixos esparsos, sem crosta protetora de decomposição, com paredes lavadas em forma côncava, de fácil desagregação. Espessura 34 m. Na base, argilas várvicas (varvitos) avermelhadas. Espessura 4 m. A soma de todas as espessuras é 48 m.
A área possui lanchonete, estacionamento para carro/ônibus e sanitários.
O acesso faz-se pela BR 376, no Km 510.
Fone: (42)228-1138

FURNAS

Localizados a 3 Km dos arenitos, são crateras circulares de grande diâmetro que aparecem isoladas nos campos, também conhecidas como "Caldeirões do Inferno". Em número de três, suas paredes verticais atingem uma profundidade de mais de 100 m e apresentam um volume de água que atinge aproximadamente a metade desta profundidade. Em uma das furnas foi construído um elevador panorâmico que vence um desnível de 54 m e dá acesso ao seu interior, sobre uma plataforma flutuante, colocada a 3 m do nível da água, daí em diante uma escada dá acesso a um deck.
As furnas têm origem na estrutura falhada e fragmentada do arenito que concentra e orienta a circulação das águas subterrâneas através de canais em regime torrencial, abrindo, pela desagregação e remoção da areia em profundidade, grandes anfiteatros em forma de cúpula junto às linhas de falhamentos ou nas intercessões com fraturas transversais.
A área possui lanchonetes, playground, sanitários e estacionamento.

FURNA 1
FURNA 2
FURNA 3
Diâmetro
80 m
90 a 150 m
75 a 100 m
Profundidade
107 m (53 m c/água)
70 m (30 c/ água)
Não alcançou o nível da água

LAGOA DOURADA

A apenas 15 minutos da cidade, com 320 m de diâmetro e com profundidade nunca superior a 3 m, tem a mesma origem das Furnas, havendo uma ligação subterrânea entre elas através de um lençol freático. O nível de suas águas é o mesmo de Furnas, ocorrendo porém, um desnível do solo, razão pela qual as mesmas se constituem em crateras profundas.
Pode-se considerar que é uma furna em processo de extinção, devido ao grande assoreamento que recebe de suas margens. Contém peixes, como traíra, tubarana, bagres, carpas e tilápias que utilizam a área para reprodução.

É chamada de Lagoa Dourada porque ao entardecer os raios solares atingiam o seu fundo que era revestido de mica ou malacacheta, refletindo um tom dourado . Devido ao processo de assoreamento que ela recebe esses raios já não a deixam dourada mas mesmo assim o visual é encantador.
A área possui lanchonetes, sanitários e estacionamento. Não é cobrada entrada.

LENDA DE VILA VELHA - 1

Itacueretaba, antigo nome do local onde conhecemos pro Vila Velha, significa "cidade extinta de pedras". Este recanto foi escolhido pelos primitivos habitantes para se Abaretama, "terra dos homens", onde esconderiam o precioso tesouro Itainhareru. Tendo proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado pelos Apiabas, varões escolhidos entre os melhores homens de todas as tribos.
Os Apiabas desfrutavam, de todas as regalias, porém era-lhes vedado o contato com as mulheres. A tradição dizia que as mulheres, estando de posse do segredo de Abaretama, revelariam aos quatro ventos e, chegando a notícia aos ouvidos do inimigo, estes tomariam o tesouro para si. Se o tesouro fosse perdido, Tupã deixaria de resguardar o seu povo e lançaria sobre ele as maiores desgraças. Dhui (Luís), fora escolhido chefe supremo dos Apiabas, entretanto, não desejava seguir esse destino, pois se tratava de um chunharapixara (mulherengo).
As tribos rivais, ao terem conhecimento do fato, escolheram a bela Aracê Poranga (aurora da manhã), para tentar seduzir o jovem guerreiro e tomar-lhe o segredo do tesouro. A escolhida logo conquistou o coração de Dhui. Numa tarde primaveril, Aracê veio ao encontro de Dhui trazendo uma taça de Uirucur (licor de butiás), para embebedá-lo. No entanto, o amor já havia tomado conta de seu coração não conseguindo assim completar a trição. Decidiu então, tomar a bebida junto com o seu amado, e os dois se amaram a sombra de um ipê. Tupã logo descobriu a traição do seu guerreiro e furioso provocou um terremoto sobre toda a região.
A antiga planície fora transformada em um conjunto de suaves colinas. Abaretama, transformou-se em pedra, o solo rasgou-se em alguns pontos, dando origem as Furnas, o precioso tesouro fora derretido formando a Lagoa Dourada. Os dois amantes ficaram petrificados e entre os dois a taça ficou como o símbolo da traição. Diz a lenda, que as pessoas mais sensíveis à natureza e ao amor, quando ali passa ouvem a última frase de Aracê: xê pocê o quê (dormirei contigo).

LENDA DE VILA VELHA - 2

Caía à tarde no infinito horizonte, Itaqueretaba, a cidade velha de pedra nos Compôs Gerais de Tabapirussu.
Quando povoavam a Terra das araucárias guaranis e tupis, os destemidos filhos de Tupã, que dominavam o Sul de Pindorama.
Os maiorais da tribo guarani, que se fixaram ali, há muitas luas, sabiam da existência de fabuloso tesouro em Itaqueretaba, e por isso evitavam que gente estranha entrasse na região. Um índio tupi, que viera com intenções suspeitas, fora aprisionado e aguardava punição, porém conseguiu fugir e levar a notícia à sua tribo.
O grande conselho de anciões guaranis resolveu formar uma legião de valentes guerreiros, sob o comando do grande chefe Tarobá para guardar todos os campos circunvizinhos. A morte seria o único castigo a quem se aproximasse da cidade de pedra. Todos sabiam que os inimigos tupis planejavam apossa-se de Itaqueretaba.
Os tupis armaram um plano de ação para o pretendido assalto. A princesa índia Nabopê recebera de sua tribo a missão de facilitar a invasão dos tupis, acampados no vale do Rio Tibagi. Deveria ela deixar-se cair prisioneira de Tarobá, contando-lhe o infortúnio de ser banida do meio de seus irmãos, por recusar casar-se com um guerreiro inimigo de seu falecido pai. Nabopê fora conduzida até os campos do Cambijú e dali, sozinha, dirigiu-se ao perigoso destino. Sob a noite escura de Itaqueretaba, temerosa de maus espíritos da cidade de pedra, fingiu que estava perdida e começou a gritar por socorro. Não tardou que um vigilante guerreiro guarani logo a capturasse, levando-a a seu chefe. A beleza de Nabopê impressionou aos olhos penetrantes de Tarobá. Ele não conseguiu trata-la como simples prisioneira sujeita a pena de morte. Nabopê permaneceu sob vigilância na gruta onde se alojava o chefe guarani. Com o passar dos dias conheceram-se melhor e daí nasceu um romance de amor. A princesa tupi passou a viver sob a proteção de Tarobá e por ele também se apaixonou, contrariando os planos que ali a levaram. Ambos foram forçados a esquecer a missão que lhes confiaram suas tribos. O amor fizera os dois amantes caírem na desgraça perante sua gente.